Peru 2017 P9: Cusco a Nazca - Montanhas

 A distância de Cusco até Nazca é de apenas 614km e pode ser percorrida em um só dia, certo? Observando que este trecho tem um traçado sinuoso, resolvi ser prudente e dividir em dois dias, e acredito que esta decisão foi bem acertada.

Partimos da altitude de 3300m de Cusco e descemos até a altitude de Nazca, que é 500m. Mas neste percurso passamos por quatro descidas de montanha e três subidas de serra, com picos de até 4300m.




D14: 25/10/2017 - Cusco a Sañayca

Acordamos cedo, carregamos as motos, fizemos o checkout e partimos para a estrada. O clima estava agradável e curtimos com tranquilidade a estrada montanhosa cheia de curvas. A Neide ficou com um pouco de medo porque só víamos montanhas e precipícios muito altos o tempo todo e a estrada não tinha guard rails nem áreas de escape para o caso de errarmos alguma curva. Era paredão de um lado e precipício do outro.














Quando viajamos pelas montanhas, temos que considerar que a condição climática muda muito rápido na altitude com variações bruscas de temperatura, vento, chuva, e até neve. 
Neste dia, uma nuvem negra chegou rapidamente e se transformou numa chuva torrencial. 

Já eram 0400h da tarde e estávamos quase chegando no hotel. A tentação foi grande para seguir viagem sob chuva mas passamos por uma vila com diversas casas e lojas lado a lado, e muitas 'panaderias', com produtos em exposição para os viajantes. A chuva engrossou muito e resolvemos parar e tomar um café com pão fresco.

Quando entramos e pedimos café, vi que o atendente ficou assustado. Acho que a maioria dos fregueses compram pão e seguem viagem. Mas nos serviram um lanche bem gostoso. Ficamos conversando e comendo por um bom tempo, até a chuva passar. 


Seguimos viagem satisfeitos, e faltavam apenas 50km para o hotel. Logo que nos afastamos da vila, nos deparamos com a pista estava cheia de blocos de pedra que haviam caído das paredes rochosas durante a chuva. Algumas pedras eram pequenas mas algumas eram enormes, pesando certamente mais de 100kg. Ficamos imaginando se, seguindo viagem com chuva, passássemos por um trecho desses com pedras enormes caindo sobre nós. Poderia ser fatal!

O GPS no Peru navega com bastante precisão e quando chegamos ao endereço do hotel, havia apenas um portão de aço fechado e mais nada. Não haviam construções nem sinal de habitação nos arredores e a única coisa que vimos foi o portão. Quando paramos as motos pensando em perguntar para alguém, o portão se abriu. Parecia coisa de fantasma, mas havia uma pessoa nos esperando.

Quando entramos no hotel, vimos diversas construções espalhadas por um terreno grande, mas estava totalmente deserto. O homem que abriu o portão nos recebeu e mostrou os apartamentos - muito bons e bem equipados. Feito isso, o homem foi embora dizendo que o jantar era 0830h.

Depois de descarregar as motos, ainda estava claro e fomos andar pelo hotel. Haviam 4 prédios com apartamentos, com 4 habitações em cada. Cada casal ficou em um prédio diferente, afastados uns dos outros. Havia também uma casa grande térrea onde estava a recepçãoe uma grande área de convivência  com decoração bem requintada, mas estava tudo apagado. Estava escurecendo mais cedo por causa da tempestade, e ouvimos um grito lúgubre que parecia ser de um pássaro. E o grito se repetia. CRAAAA. CRAAA. Logo vimos que aqueles gritos eram de Pavão macho, muito bonito. Não era assmbração.

Perto do meu apartamento havia uma outra casa, mais baixa, também às escuras. Olhando pela porta, vimos que se tratava de uma capela ou igreja, que também era pequena e ricamente decorada.












Um pouco mais longe está o restaurante, que também estava vazio e escuro. Ficamos meio desconfiados, mas esperamos porque o homem havia nos dito que nos serviriam jantar.

Já estava ficando tarde quando ouvimos movimento e chegou um carro com 4 pessoas, que abriram a porta do restaurante. Perguntamos como funcionava e nos explicaram sobre o jantar, que foi feito só para nós, e foi muito bom. Depois do jantar, fomos dormir satisfeitos.

Valeu muito a pena ter parado em Sañayca, mas no dia seguinte precisamos seguir viagem até Nazca. 

D15: 26/10/2017- Sañayca a Nazca

Na manhã seguinte, fomos acordados pelo CRAAA CRAAA do pavão. Com a luz do dia, deu pra ver que o hotel ficava na beira da estrada, entre um paredão de rochas e um rio com águas cristalinas de montanha. No fim das contas, este lugar era muito legal. Depois descobrimos que este hotel é muito usado como base pelo HOG do Peru para os passeios da Harley Davidson pelas montanhas.













A estrada continuava montanhosa com picos acima de 4000m, onde era muito frio e vales de 2000m com temperatura amena. O asfalto era bom, sem buracos e sem sujeira. Eu vinha na frente, me divertindo nas curvas, até que me deparei com uma curva toda suja de areia. Eu estava meio rápido e a frente da moto derrapou. Dei um pontapé no chão com toda minha força e consegui abrir a curva e recuperar o equilíbrio no acostamento. Foi um grande susto, ainda mais que havia uma valeta logo após o acostamento, e esta valeta tinha muitas marcas de acidentes. Continuamos viagem e logo paramos num posto para abastecer. Lá encontramos dois viajantes que estavam percorrendo o Peru com duas Teneré 660. Um deles contou que caiu naquela valeta e quebrou a mala lateral da moto, e estava aguardando alguém para soldar o suporte. Nós escapamos por sorte, porque aquela curva era uma armadilha perfeita.



Quando chegamos à última descida de montanha antes do almoço, o movimento de caminhões aumentou bastante e nossa ambição de chegar cedo ao hotel foi frustrada. 

A descida de 3800m a 500m em pouco mais de 100km era longa e forte, cheia de curvas. No começo era divertido ver os carros e caminhões na encosta da montanha. A coisa perdeu a graça quando o trânsito parou por causa de obras na pista. Havia muitas pessoas paradas na estrada. Conversando com elas, entendemos que esta interrupção poderia ser bem longa, de várias horas. Haviam pessoas bem nervosas e exaltadas com a longa espera. Esta parte final foi mais complicada porque o trânsito era bem intenso e era difícil ultrapassar. 











Chegamos ao hotel em Nazca no fim da tarde, e decidimos ir direto para a piscina, que parecia muito convidativa.




Saímos à noite para jantar e para contratar nosso Tour para visitar as famosas Curvas de Nazca. Pensamos em fazer a visita de avião, mas a maioria do pessoal ficou com medo. Então contratamos o Tour de Van mesmo.

Achamos interessante o movimento na noite, com diversos carros de Rally passando pela cidade. Alguns andavam com motores ligados fazendo bastante barulho e alguns passavam sobre pranchas de transporte. Voltando ao hotel, vimos que diversos dos competidores estavam hospedados lá e aproveitamos para tirar fotos dos carros. Mas o caso do Rally fica para o próximo capítulo.




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