Meu Amigo BILO


Conheci meu primeiro amigo cão quando tinha uns 7 anos de idade. O Bilo foi nosso único cachorro puro sangue, da raça Pastor Alemão. Seu nome no pedigree era Bilo Von der Landeskrone. O nome começava com B porque era a segunda ninhada. Lembro bem meu pai dizendo orgulhoso que ele era um legítimo “capa preta”. Só que o Bilo não tinha chance em nenhum concurso. Ele era grande e forte, mas tinha as orelhas caídas, e isso bastava para desqualificá-lo.

O Bilo foi meu grande amigo por muito tempo, pois ele viveu mais de 12 anos. Nós brincávamos, passeávamos, caçávamos e brigávamos com a vizinhança, juntos.

O esporte predileto do Bilo era caçar ratos. Como morávamos perto do tanque do Bacacheri, os ratos que a gente caçava eram grandes ratões do banhado, ou Nutria, que são animais grandes como coelhos e são bem perigosos. 



Eu levava o Bilo passear nos campos e quando ele ficava alerta com algum cheiro, eu o atiçava pra caçar e aí começava a brincadeira. Eram minutos e minutos de perseguição pulando de uma touceira para outra e cavando o terreno até encontrar o ratão. Daí começava e batalha sangrenta do cão se divertindo contra o rato lutando pela própria vida. E eu, piá pançudo, ficava por perto pra ajudar com pedradas, pauladas e muita torcida. Uma vez o Bilo quase apanhou do ratão, de tão grande e forte que ele era. A cauda daquele rato era mais grossa que uma salsicha, e o animal devia pesar mais de 1kg de puro músculo. Mas o Bilo venceu e voltamos pra casa sangrando (o Bilo) e felizes (eu).

A segunda maior alegria do Bilo era passear pelo bairro. Na época a gente não usava guia, coleira nem nada, apenas andávamos juntos pela vizinhança procurando briga com todos os cachorros que encontrávamos pela frente. O maior inimigo do Bilo era o Klaus, que era o pastor alemão preto da Regina da Rosacruz. Mas eles só brigavam em lados opostos da cerca. Um dia o Klaus estava solto e a briga aconteceu de fato, e foi muito feia. O Bilo voltou pra casa mancando e todo machucado depois de vencer a luta e quase arrancar a orelha do Klaus. Meu pai me deu a maior bronca. Mas o Bilo não era assassino. Ele apenas brigava para brincar e nunca machucava muito seus antagonistas. Mas o Klaus foi uma exceção.

A alimentação, os cuidados e o passeio do Bilo eram minha responsabilidade. Para alimentação, eu cozinhava uma panela enorme de polenta a cada 3 ou 4 dias. Para deixar a polenta melhor, eu colocava  salsicha, ovo, ketchup, caldo de carne e quaisquer restos de comida que encontrasse na geladeira. Depois de ferver a água eu adicionava fubá até formar uma pasta bem consistente e deixava cozinhar por algum tempo. Até hoje tenho ânsia quando lembro do cheiro enjoativo daquela gororoba.

Pior que o cheiro da polenta era o cheiro da bosta do Bilo sob o sol de verão. Limpar o gramado e recolher a bosta do Bilo também era minha função e muitas vezes passei mal com o cheiro forte e horrível da merda ao sol.

Saudades do amigo Bilo...


Comentários

  1. O Bilo era muito fofo... saudades . Sem saudades do cheiro da polenta. Um horror !

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  2. Desprezando meus dotes culinários? Magoei...

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    Respostas
    1. Ainda bem que a Neide cozinha bem né ? ! 😅

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    2. O cheiro da polenta era de matar! ânsia é pouco. Tadinho do Bilo, criatura inocente 😇

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