Desapego
Lembra do filme Forrest Gump quando ele dizia que a vida é uma caixa de bombons? A vida é um presente de Deus. Este conceito é enraizado em muitas culturas, inclusive a nossa. A vida é também o tempo verbal presente, o único que vale. O passado já se foi e o futuro ainda não chegou.
Com a realidade da aposentadoria está cada vez mais próxima, é hora de pensar muito bem sobre encarar o desligamento da empresa com desapego. Se você sente que é apegado à Volvo, isto merece consideração.
Pensando desapego em relação ao ato de pegar algo, então desapegar é largar, não apenas as coisas, mas também as pessoas, rotinas, desafios, recompensas e a segurança que existe dentro das muralhas da Volvo.
Mas de onde vem este sentimento de posse se na realidade não possuímos nada? Talvez seja mais certo encarar o desligamento da empresa como uma mudança, e não como uma perda de posse. E mudar, mesmo que seja para melhor ou apenas para sair de uma zona conforto, pode ser difícil. Somos como um pássaro que não quer fugir da gaiola aberta.
Que tal fazer uma lista com todos os pontos positivos e negativos da Volvo, concretos e abstratos? Pegue um pedaço der papel e faça este exercício. Não é difícil. Invista alguns minutos nisso...
Feito?
Agora pense na sua relação com cada um destes pontos, agora e para o futuro. O conceito de melhor ou pior não se aplica aqui, apenas vai ficar diferente. É o mesmo que mudar de casa, de escola, de trabalho ou de carro. Quantas vezes você viveu cada uma destas mudanças? São tantas coisas mudando o tempo todo que a gente nem percebe mais. Claro que algumas mudanças são mais marcantes. Que mudança é maior que o casamento ou o nascimento do primeiro filho?
Mudanças deixam saudades e trazem novidades. A saudade boa é recebida carinhosamente, como uma boa e velha amiga. Saudade não carrega tristeza, é apenas amor pelo que passou. O amor que fica.
E quem não gosta de novidades? Com o desligamento da Volvo, será possível apreciar muito mais novidades e viver plenamente.
Mas é moleza falar das mudanças que desejamos ou construímos. E as mudanças indesejadas?
Sem dúvida a pior mudança indesejada é algo ruim que vem de surpresa. Pode ser o fora de uma namorada, uma demissão ou um roubo. Espero que você nunca tenha passado por isso, mas se passou, certamente se lembra. A mudança indesejada não deixa saudades.
Outra mudança marcante é a perda de um ente querido. Quando acontece de repente e sem aviso traz a sensação terrível igual a um roubo. Fica aquela perda que a gente não esperava e acha injusta, não merecida. Mas quando um ente querido se vai depois de uma doença, normalmente temos tempo para nos preparar e encarar a mudança com mais calma. Ainda é difícil, mas perde o impacto traumático. Acho que a aposentadoria tem alguma similaridade com esta última situação.
Em todos estes casos, vivemos as sete fases da mudança, que vão e vêm e giram e voltam. Como uma injeção ou a retirada de um esparadrapo, quanto mais rápido for, menos dolorido será.
A primeira fase é a negação. Esta fase é muito nociva. A pessoa pensa que aquilo não é verdade, que tudo voltará a ser como antes num passe de mágica, a qualquer momento. Quanto mais rápido passar esta fase, melhor. A negação é puro desperdício de tempo.
Depois que a mudança se torna inegável, vem a fase da raiva, revolta e indignação. Esta fase também é nociva e, além da perda de tempo, pode nos prejudicar bastante.
Em seguida vem a aceitação, que pode ser triste, alegre ou até um alívio porque passamos das fases reativas. Mas a simples aceitação passiva também não é nada, é outra perda de tempo.
Depois destas fases, começamos a aprender e entender a nova situação, a buscar oportunidades e paramos de lutar contra os fatos. Neste momento estamos na última fase que é maximizar os pontos positivos, as vantagens e aproveitar as coisas boas da mudança. Quanto mais rápido chegamos neste estágio, melhor para nós e para todos que nos cercam.
Vamos nos apegar às mudanças, para que o desapego fique assegurado? Este é o desafio

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