Atacama 2016 com Paulo e Dulce

 


A viagem ao Atacama com Neide, Dulce e Paulo foi dividida igualmente entre  estrada e turismo, com pelo menos uma atração especial em cada um dos 20 dias.  Rodamos mais de 7500 km no total, a maioria com asfalto e tempo bom, mas tivemos dois dias de chuva, dois dias de calor escaldante e algumas estradas bem ruins. Procuramos manter velocidade entre 120 e 140 par poupar motos, combustível, pneus e pilotos. Acordamos cedo quando possível para evitar o calor e chegar a tempo para passear e/ou tomar um banho de piscina. Tiramos muitas fotos e filmamos bastante.

Mas minha aventura começou ANTES da viagem porque a GT1200 teve um problema no comando de válvulas a moto ainda estava toda desmontada quando faltava uma semana para a viagem.

Eu havia planejado uma viagem para Urubici com o Dalton, Armando e Karam para testar a GT1200 antes da viagem ao Atacama mas tive que ir com a GS1100 verdinha, mas isso é outra história. 

Peguei a moto na oficina no dia 24 de Dezembro, véspera de Natal, com 95814km rodados e dois dias depois partimos direto para a viagem ao Atacama, sem nenhum teste do equipamento.

26/12/2015

Percorremos os 683km de Curitiba a Eldorado via Pato Branco. Pegamos uma chuva forte depois de Guarapuava, mas mesmo assim chegamos secos ao destino, e o sol nos convidou para um banho na ótima piscina do Hotel Che Roga. Tomamos um táxi para jantar na cidade e tivemos nossa primeira lição de Argentina: não há restaurante que sirva jantar antes das 2030h.


27/12/2015        

Foram 512 km de Eldorado a Corrientes, com MUITA CHUVA e sem visibilidade nenhuma. Foram mais de 100 milhas submarinas, com direito a aquaplanagens e muitos sustos. Foi tenso! Concluí que há dois tipos de roupa de chuva: a que não precisa e a que não adianta. Da próxima vez, vou deixar as capas em casa. A sabedoria do Índio diz que a chuva molha e o vento seca, e está certo! A piscina nos aguardava no Hotel Orly. Ainda deu tempo para um passeio no poente às margens do Rio Paraná.





28/12/2015

Este foi o dia mais “estrada” da viagem: percorremos 838km para atravessar o Chaco. Saímos cedo de Corrientes e tivemos sorte porque a temperatura não passou de 30 graus. Chegamos em Salta às 16h, mas não achamos nosso hotel. Depois de muito rodar, descobrimos que não era um hotel. Era um apartamento residencial. Esta foi a primeira ‘furada’ da viagem. Depois que conseguimos nos instalar, no apartemento fizemos uma caminhada por Salta. Cidade linda de dia e de noite! Aproveitamos também para comprar alguns Pesos, porque a conversão com o Dólar estava ótima.




Valeu a esticada na estrada para atravessar o Chaco porque a partir de agora teremos lugares legais para visitar todos os dias, com pouca quilometragem na moto. Daqui pra frente, é só passeio!

29/12/2015

Fechamos a conta no apartamento e mudamos cedo para o Hotel Almería, que eu já conhecia e é um excelente custo/benefício em Salta! Ainda estava cedo quando saímos para fazer turismo com as motos. Tentamos chegar a San Antônio de los Cobres e/ou Cachí, mas não deu certo. As estradas eram de rípio com muitas pedras soltas, e a Gold Wing sofria ainda mais que a GT1200. Mesmo assim foi muito legal curtir as lindas estradas e paisagens da região de Salta, já que são muitas alternativas com asfalto bom e lindas paisagens.







Na volta para Salta, ainda deu tempo para mais uma caminhada pela cidade e contratamos uma Amarok para nos levar a San Antônio de los Cobres no dia seguinte, já que o Trem das Nuvens não funciona nesta época do ano.

30/12/2015

A Amarok chegou na hora marcada e partimos para o passeio. Subimos a estrada paralela aos trilhos do Trem das Nuvens e aprendemos muito com o Luís, motorista e guia. 

Passamos antes em Campo Quijano para visitar um museu ferroviário e depois passamos no viaduto de aço rebitado por onde passa o Trem das Nuvens. Este viaduto não tem pintura alguma e não enferruja por causa do ar frio e seco do deserto.




Almoçamos em San Antonio de los Cobres, onde saboreamos um delicioso prato feito com carne de Lhama.






Depois do almoço, seguimos o percurso do Rally Dakar pelo trecho de rípio da Ruta 40, visitamos o Salar Grande e voltamos a Salta por La Cornisa. Ainda deu tempo para visitar as represas, aqueduto e outras curiosidades. Sempre vale a pena contratar um guia para aproveitar melhor a viagem.





Depois de descermos a Costa de Lipán, uma das estradas mais espetaculares que conheço, que dá acesso ao Passo de Jama, paramos em Purmamarca para esticar as pernas e visitar a feira de artesanatos.





Neste dia tiramos tantas fotos e fizemos tantos vídeos que ficou difícil escolher!


31/12/2015

Este foi um dia de turismo com estrada. Antes de sair de Salta, subimos ao Mirante do Cerro San Bernardo e encontramos os Adesivos da viagem Moto+Amigos ao Peru. Foi emocionante. 




Optamos pela rota romântica por La Cornisa (Ruta 9), com muitas curvas e precipícios de tirar o fôlego. O aprendizado com o Luís no dia anterior foi ótimo para aumentar ainda mais a curtição no caminho. Foram apenas 174km de Salta a Tilcara, onde nos hospedamos no Pátio Alto (excelente hotel).



No passeio por Tilcara, reservamos o restaurante para festejarmos a passagem do ano.







Passamos o Reveillon num lindo restaurante em Tilcara, animados com o legítimo "Carnavalito Inca". Foi muito vinho, muita comida e muita música. Nos quedamos borrachos!

1/1/2016

Depois dos vinhos do Reveillon, a ideia era descansar e passear perto de Tilcara. É incrível como a inensidade das experiencias em apenas 5 dias de viagem faz parecer MUITO mais tempo.

Acordamos tarde e rodamos para o Norte parando por Uquía para visitar a igreja histórica e a feirinha.




Ao lado da igreja está a Quebrada de las Señoritas, com as rochas coloridas com cores vivas.



Depois seguimos para o Norte, parando um pouco na loja da lhama gigante. Dá pra ver que o lugar estava bem deserto. Éramos os únicos fregueses. Nesta região é sempre assim. Se vê pouca gente.


Em Humahuaca, aproveitamos uma siesta na praça central da cidade antes de continuarmos mais para o Norte pela Ruta 9 até Abra Pampa, já perto da fronteira com a Bolívia. A montanha colorida e a Puente del Diablo parecem até montagem. 




Foi um dia muito gostoso apreciando lindas paisagens, bosques de cardones e morros coloridos até saturar os sentidos!

2/1/2016

Seguimos de Tilcara para o Chile, percorrendo 412km até São Pedro de Atacama. Paramos em Purmamarca para algumas fotos.



Subimos a Cuesta de Lipán, e paramos novamente na placa que marca a altidute de 4170 metros para algumas fotos.

Continuamos viagem, atravessando o Salar Grande até Susques e seguindo para as Aduanas da Argentina e Chile. Mais de 2 horas de burocracia. Não havia gasolina em Susques, então chegamos ao Paso de Jama com tanques quase vazios.





Que decepção foi a hospedagem Casa Redonda em São Pedro de Atacama! Depois do Almería e do Pátio Alto, nossa elevada expectativa caiu por água abaixo. O hotel era longe, sem ninguém para nos atender, sem água nem mantimentos, sem ventilador e sem nada por perto. Apesar disso, o lugar era interessante. Acho que esta opção é ideal para grupos grandes por causa da privacidade.



Fomos de moto para a cidade procurar outro hotel. Optamos pelo Puritama – melhor, mais barato e em plena Caracoles. Agendamos os passeios guidado para o dia seguinte na agência que fica ao lado do Puritama.




3/1/2016

Este dia foi de turismo por SP de Atacama. Acordamos cedo e mudamos para o hotel Puritama logo após o café. 


Nos informamos no hotel e decidimos viajar para o Sul, em direção ao Paso Sico para visitar as Lagunas Altiplânicas. É impressionante ver este lugar no Google Earth, parece que não é na Terra.


Paramos em Toconao, no meio do caminho e visitamos o Parque dos Flamingos antes que o dia esquentasse muito (não deu certo kkk). Valeu o perrengue de rodar 50km de rípio para visitar o parque!




Depois disso, voltamos ao asfalto da Ruta 23e continuamos até Socaire, onde almoçamos muito bem. As paisagens são muito lindas, sempre próximo ao Volcán Lascar. 


Após o almoço, continuamos subindo pela Ruta 23 até a entrada para a Laguna Miscanti, onde começou o rípio com areia fofa e subida forte. Não conseguimos chegar até as lagunas. A Gold Wing enterrou na areia e o motor da GT esquentou tanto que desligou sozinho. Depois perguntamos para outros motociclistas e eles nos disseram que o passeio para as lagunas tem que ser de van com guia. Mesmo assim foi bonito e valeu o susto da aventura. Na volta, encaramos mais uns 50km de ripio para tomar banho na Laguna Cejar. O Paulo deu um mergulho bonito.




4/1/2016

Este foi mais um dia de turismo na região de São Pedro de Atacama. Paulo e Dulce acordaram de madrugada para visitar os Geisers del Tatio enquanto Neide e Marcelo acordaram mais tarde e foram de moto visitar o Valle de la Luna. 





Almoçamos todos juntos e à tarde pegamos a van para nadar nas lagunas salgadas. Muito interessante e divertido! Na volta à San Pedro, paramos para ver o pôr do sol na Pedra do Coiote, com vista para o Valle de la Muerte, com drinks inclusos. Novamente, optar por um guia foi uma ótima pedida!









5/1/2016

Saímos cedo de San Pedro de Atacama e percorremos rapidamente os 312km até Antofagasta, onde almoçamos frutos do mar no restaurante El Fogón de Coloso, que fica ao sul da cidade, perto do Mirador de Coloso. 


 Após o almoço, fizemos check-in no Geotel de Antofagasta, às margens do Oceano Pacífico. Tivemos que esperar até 14h para liberarem os quartos, mas aproveitamos para descansar um pouco.

 


Colocamos uma roupa mais confortável e fomos passear de moto. Primeiro visitamos a famosa Mano del Desierto e depois fomos a La Portada, que fica ao Norte da cidade, um pouco afastada. No caminho, quando os chilenos percebiam que nossas motos eram do Brasil, diversos buzinavam e acenavam. Até nos cumprimentaram com brados de "Fuera Dilma!!!"


Na volta ao Hotel, Paulo e Marcelo entraram no gelado Oceano Pacífico. Depois do espetacular pôr do sol com drinks oferecidos pelo hotel, pegamos uma condução para jantar na cidade. O plano era voltar andando para o hotel, mas no fim ficou bem longe e caminhamos bastante. Porém foi gostoso andar à beira mar.


6/1/2016

Saimos de Antofagasta após o café da manhã e voltamos para San Pedro de Atacama. A GT1200 virou para os 100 mil km em Sierra Gorda, perto da mina de cobre que ruiu e deixou diversos mineiros embaixo da terra por vários dias. 


Chegamos cedo ao hotel e aproveitamos para colocar a lavanderia em dia antes do almoço. A roupa seca muito rápido no Atacama, e não há risco de chuva.



Fomos a pé até a cidade para passear mais um pouco e comemos uma pizza, bem tranquilos.


No fim da tarde, ainda deu tempo para mais uma visita ao Valle de la Luna.


Jantamos e passeamos um pouco mais para nos despedir de San Pedro porque no dia seguinte começaria nossa viagem de volta. 


 7/1/2016

Na volta de San Pedro de Atacama até Purmamarca, pegamos a descida do paso de Jama com sujeira na pista e tivemos que andar com cuidado nas curvas. Foi uma pena porque aquela estrada é muito boa para arrastar as pedaleiras.


Chegamos a Purmamarca antes do almoço. Fizemos checkin no hotel e fomos passear pela cidade. Eu já havia visitado esta vila muitas vezes mas esta foi a primeira vez que nos hospedamos perto do centro, num hotel com varanda de frente para o famoso Cerro de Siete Colores de Purmamarca.


 
8/1/2016

Continuando nossa volta, rodamos 340km de Purmamarca até Cafayate. Mais ainda deu tempo para subir uma vez mais no Cerro das Siete Colores antes de pegar a estrada. Mas a Neide preferiu ficar descansando no hotel.


Até Salta, fomos pela via expressa e nem entramos na cidade, apesar da vontade. Preferimos seguir pela Quebrada de Las Conchas e parar na Garganta del Diablo.







O hotel em Cafayate era bem localizado e tinha piscina, que é algo que o Paulo sempre faz questão de aproveitar.



Depois do checkin, fomos visitar algumas vinícolas nas redondezas de Cafayate e também fomos no Museo de la Vid y el Vino, que é muito legal.


9/1/2016            

Foi muito legal visitar Cafayate, mas no dia seguinte seguimos viagem até Tafí del Valle, a apenas 180km de distância. Mas no caminho há a aldeia Quilmes, o Museo Pachamama e uma serra maravilhosa que sobe dos 1750m de Cafayate até mais de 3000m, que é mais ou menos a altitude de Tafí, que é uma famosa cidade turística na Argentina (parece Europa) encravada entre as montanhas.


O hotel que escolhemos em Tafí tem uma vista maravilhosa para a cidade e para o vale em frente.


Fomos passear pela cidade, que é muito pitoresca.


10/1/2016

 Não ficamos muito tempo em Tafí del Valle, apesar da vontade. Descemos a montanha, por uma estrada cheia de curvas deliciosas e continuamos os 170km até Termas de Rio Hondo.

A descida da serra parece uma montanha russa com muitas curvas. Mas depois da serra, tivemos que prestar atenção no GPS porque o caminho é cheio de mudanças de estrada e atalhos para evitar San Miguel de Tucumán e reduzir o percurso em 80km, sem pegar estradas de chão. A sensação era que estávamos perdidos, mas no fim deu tudo certo... Valeu botar fé no GPS.

Em Rio Hondo, nos hospedamos na Pousada Cabañas Marina, onde há aguas termais dentro do apartamento e também na piscina externa, que é bem quentinha. Este hotel fica ao lado do Autódromo e acredito que é o melhor lugar para se hospedar na época do MotoGP (mas deve ser impossível conseguir vaga...). 


Em Rio Hondo existem muitas atrações, sendo o Autódromo do MotoGP e o museu de carros de corrida os mais legais. Mas tem também a hidroelétrica de Rio Hondo, as termas e muitos mosquitos famintos. Foi uma pena não conseguirmos visitar o museu, porque ele fecha cedo e perdemos a hora. Fica pra próxima.


Quando visitamos a represa, uns índios subiram na moto do Paulo e começaram a apertar um monte daqueles botões que só a Gold Wing tem. Tivemos que levar na diplomacia porque estávamos em desvantagem numérica. No fim, foi um pouco tenso mas deu tudo certo.



11/1/2016  

A partir de Termas de Rio Hondo começaram os trechos com maior distância de estrada, começando pelos 680km até Resistência, onde ficamos no Hotel Covadonga.

Havia previsão de muito calor na temida travessia do Chaco. Para evitar problemas, saímos às 5h da manhã. Valeu a pena. Pegamos apenas 2h de calor antes de chegar ao hotel. 

12/1/2016

Saímos um pouco tarde de Resistência e passamos bastante calor nos 640km até Foz do Iguaçu. Tocamos num ritmo firme mas sem forçar muito para poupar os pneus devido à alta temperatura. Nosso hotel fica ao lado do trevo  que vem da Argentina mas nós nos perdemos e fomos até o centro de Foz. Serviu para matar as saudades dos engarrafamentos. O motor da minha moto chegou a falhar por causa do calor e da falta de vento!

Chegando ao Hotel Caimã, fomos direto para a piscina. Fomos jantar na Argentina. Muito bom o show musical e a carne também.

13/1/2016

Fomos de manhã ao Paraguai, de moto mesmo. Estacionamos no Shopping del Leste e logo nos separamos. 


Paulo e Dulce queriam ser rápidos no Paraguai para ter tempo de ver as cataratas no lado Argentino. Neide e Marcelo ficaram passeando por Ciudad del Este, mas não deu pra comprar nada. Nós brasileiros estamos muito pobres no momento. 

14/1/2016

Saímos de Foz do Iguaçu logo após o café da manhã para percorrer os útimos 650km de nossa viagem num ritmo firme e sem muitas paradas. Chegamos em Curitiba às 4 da tarde, sem stress e com tempo bom. A GT1200 se comportou muito bem nessa viagem, que exigiu bastante da máquina.  


Abaixo a planilha detalhada e mapa do percurso desta viagem de 6367km em 20 dias muito divertidos.




 





Comentários

  1. Muito boa explanação e seus detalhes esta de parabéns pela organização.

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