As Camisas Malditas

Eu fui muito acidentado numa época da vida . Foi entre 14 e 20 anos. Acho que eu fazia muitas coisas perigosas ao mesmo tempo, e não era cuidadoso. Como meu pai dizia, eu fazia tudo no 'Louco-Louco'.

Nesta época eu só usava camiseta tipo T-Shirt ou uniforme da escola, e minha mãe comprou duas camisas de verdade, de malha, com botões e muito bonitas. Uma era em dois tons de azul a outra era bege com faixas vermelhas. 




Essas duas camisas foram destruídas em acidentes. 

A camisa azul se desmanchou no acidente com a CZ125 quando deslizei de costas pela rua de anti-pó. Já contei esta história em outro Blog.

A camisa bege pegou fogo quando uma a garrafa de álcool explodiu na minha barriga e sobraram só os botões.

Este acidente com álcool aconteceu na cozinha de nossa casa no Bacacheri. Na época, o bairro era pouco povoado e era comum animais silvestres entrarem em nossa casa, e nosso maior medo eram as aranhas caranguejeiras. Uma tarde, apareceu uma aranha enorme na toalha de banho da minha mãe, que me chamou para matar o bicho. Bati com uma vassoura, mas a aranha não morria. Peguei a aranha com um pedaço de graveto e ela apertou tão forte que cheguei a sentir um tremor na mão. 

Eu havia ouvido alguém dizer que as aranhas voltavam para nos atacar se a gente não matasse direito, e o fogo era único jeito de matar bem matado. E eu resolvi usar álcool para queimar a aranha.

Naquela época, o álcool era vendido com concentração 95% em garrafas plásticas com um bico fino para esguichar o líquido. Com meus irmãos na platéia, esguichei bastante álcool na aranha e ateei fogo. Mas depois que o fogo apagou, o bicho continuava se mexendo. Então resolvi colocar mais combustível e esguichei álcool espremendo a garrafa plástica. Quando soltei a pressão, a garrafa puxou o fogo para dentro e explodiu sobre minha barriga. 

A camisa pegou fogo e eu peguei fogo. Minha mãe veio correndo assustada, gritando muito, e me aplicou um monte de cremes e pasta de dentes para aliviar a dor da queimadura. Mas a coisa era um pouco mais grave que isso... 

Só que os médicos recomendam apenas aplicar água fria no local, ou no máximo soro fisiológico, mas nunca colocar nenhum produto nem remédio sobre queimaduras. Como a área queimada era grande e se formou uma bolha enorme na minha barriga, minha mãe me levou para o pronto-socorro de queimados no Hospital Evangélico. 

Chegando lá, fui direto para a emergência e , enquanto aguardava na maca, ouvi os enfermeiros comentarem que ‘chegou um aqui besuntado de pasta de dentes – vai ter que escovar’. 

Me seguraram firme sobre uma maca e usaram uma escova grossa de nylon por MUITO TEMPO, até remover toda a pasta de dentes. Só depois dessa limpeza me deram um analgésico. Foi uma dor tão forte que nem consigo me lembrar. Minha mente bloqueou a memória.

Depois de me enfaixarem a barriga, a mão, o pescoço e o braço que estavam bem queimados, me mandaram para casa. Foram queimaduras de segundo grau e terceiro grau.

Para completar, era semana de Natal e eu tinha que ficar pelo menos 10 dias em repouso absoluto, sem sair de casa. A família saiu para a celebrar na casa da Vó Zezé e eu fiquei sozinho em casa, por isso não apareço na foto.


E esta é a história das duas camisas acidentadas.


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