Esperar ou Correr: Um Dilema?

 



É conhecimento geral que as baratas possuem antenas sensíveis que comandam as pernas antes do cérebro entender o perigo. A sobrevivência das baratas como espécie é atribuída a esta característica, pois o animal sai correndo antes mesmo de saber se há algum perigo e de onde viria essa possível ameaça.

Outra história conhecida é do leão e da gazela na África. Ambos precisam correr todos os dias para sobreviver. O mecanismo de fuga da gazela não é o mesmo da barata. A gazela fica parada, atenta, e avalia se há perigo, de onde vem o perigo, qual a melhor rota de fuga e coordena a fuga com o restante da manada. Esta avaliação acontece na fração de segundo que antecede a disparada da manada de gazelas. Este mecanismo parece mais eficiente que o da barata, mas requer alerta constante aos sons, cheiros e vibrações do ambiente e um cérebro mais evoluído. Se a gazela por acaso se distrai, vira presa fácil. A barata está imune a este risco.

Ainda há o ponto de vista do leão, que precisa correr para caçar e não para fugir. E me parece que o ponto de vista do leão é mais alinhado com gestão, já que empreendedores, empresários e gestores precisam correr atrás da caça ou dos seus objetivos. Empreendimento gazela não vai longe...

Se o leão não aparecer para ameaçar o sossego, a gazela pode ficar pastando e relaxando o dia inteiro, se movendo com o bando tranquilamente em busca de melhores pastos.

O leão tem que sair em busca da caça, indo em direção aos pontos de alimentação e bebida das suas presas e sempre usando seus sentidos aguçados para apontar a direção sem as gazelas percebam sua presença.

Na natureza, o homem é caça e caçador. Como caçador tem a vantagem da organização em times que podem cercar as presas e fazê-las correr até cansar. Existem povos na África que caçam sem armas, apenas fazendo as presas correr até morrerem de exaustão.

Em gestão, se enfatiza muito o exemplo da barata como caso de sucesso para que as organizações não fiquem estagnadas e priorizem o movimento sobre a inércia de querer avaliar todas as alternativas antes de agir. Neste caso se configura um aparente dilema entre ação e planejamento.

A organização do ser humano para a caça com estratégia e cooperação no time deveria ser sempre o Norte nos nossos esforços na gestão. Como a única maneira de fazer tudo isso é fazendo, não há dilema.

O desafio, caçando ou gerenciando, é definir um objetivo claro, certificar-se que o time inteiro entende o objetivo e está alinhado com o mesmo e então planejar a estratégia, orquestrar as condições e aguardar o momento certo de lançar o ataque para capturar a presa. Simples como trocar o pneu de um carro em movimento.

Que sem graça....

 

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