Indecisos no Uruguai P1: Curitiba a Rio Grande

A turma dos Indecisos, também batizados pela Neide como Novatos do Asfalto, resolveu planejar uma viagem internacional, que seria a primeira deste tipo para alguns dos participantes. Foram muitos churrasscos de preparação, muitas discussões sobe a arte na camiseta oficial do grupo e muitas conversas até a viagem ficar planejada e decidida.



Participaram o Dalton com sua HD Street Glide preta, o Fernando - Secão - com sua HD FX, também preta e super barulhenta, o Gilson com sua Suzuki MD800, o Richarde com a HD Street Glide preta, igual à do Dalton, o William - Billy - com sua BMW R1200GS e finalmente, Marcelo e Neide (única garupatroa do grupo) na BMW K1200GT. Esta turma super eclética só tinha um objetivo: se divertir.

Este diário de viagem começou a ser escrito pelo Billy, que redigiu os dois primeiros dias. Eu completo o relato com os outros dias, e também acrescento alguns detalhes no texto do Billy.

1° Dia: 26/11/2013

Billy contando: 

Por incrível que pareça dormi bem à noite e acordei por volta das 7:30 quando a Rô voltou da escola do Gui e me acordou dizendo que o tempinho estava horroroso, chuvinha e frio. O mais incrível ainda é que não me apavorei, acho que já estava conformado em pegar chuva nesta viagem. 

Levantei perto das 8:00, e a medida que o tempo passava a chuvinha foi amenizando. Tomei meu café e quando saí de casa por volta das 8:45 não estava chovendo, mas eu já estava todo paramentado, além da roupa de moto, com jaqueta e calça de tempo. Nossa como é ruim se encher de roupa para pilotar.

Nos encontramos na casa do Dalton. O Secão foi o último a chegar, quase atrasado, e daí já começou o sarro em cima dele. Fizemos algumas fotos e o tempo estava melhorando, chegando até a sair umas réstias de sol. 

Todos ansiosíssimos, o Dalton e o Marcelo loucos para pegar a estrada, a Neide de papo com a Ivonete ou reclamando do Marcelo, o Richarde disse que fazia duas noites que não dormia, o Gilson cheio de roupas harleiras, colete, lenço, calça jeans e outros (parecia dos Motoqueiros Selvagens), o Secão com o seu jeitão relax e eu com um calor do cacete naquelas roupas impermeáveis, mas devido a probabilidade de pegar chuva tinha que manter a proteção.

Partimos!!! A sensação era de que seria apenas mais um passeio normal de fim de semana. Saímos enfileirados pelas ruas em direção à BR 277. O Dalton tomando a dianteira foi seguindo com sua motoneta poderosa e a galera seguindo atrás com atenção. O Marcelo rodava por último, fechando a fila. O Dalton e o Marcelo conseguiam conversar entre eles pelo comunicador Bluetooth Sena, desde que estivessem com contato visual e não muito distantes entre si. Dizem que até uns 300m funciona bem.

A chuva era desprezível até o início da serra da BR 376, mas a pista estava molhada. Chegando na serra, começou a chover mais forte. O capacete querendo embaçar e o calor daquela roupa foi começando a me agoniar, comecei a pensar na distância que iriamos percorrer e com aquela sensação de calor, viseira embaçando, pista molhada, tensão ao passar por um acidente, estava muito ruim, chegou até passar pela minha cabeça a possibilidade de desistir da empreitada e retornar para Curitiba.

Aqui o Marcelo entra para comentar o acidente:

Estávamos enfileirados, o com o Dalton na frente. O trânsito parou no final da descida da serra, na curva logo após o a última área de escape. Eu estava por último e quando vi que o Dalton ameaçou parar, eu disse a ele para entrar no logo no corredor porque é perigoso ficar de moto no fim de um engarrafamento. O Dalton entrou e os outros seguiram, bem tranquilos. Quando chegou minha vez, eu entrei no corredor e passei pelo primeiro carro, um Gol onde estava um casal idoso. Logo depois que eu passei o Gol e o próximo carro, escutei um estrondo. Um caminhão sem freios veio em disparada e bateu no Gol, jogando-o no barranco para fora da pista. Eu continuei tocando para sair o mais rápido possível da área de perigo. A Neide viu o que aconteceu com o casal no carro e acha que eles se machucaram porque o carro desceu barranco abaixo. Os outros viajantes do grupo nem chegaram a ver o ocorrido, mas para mim foi um grande susto. 

O Billy fala bastante da roupa de chuva, mas a Neide e eu nem pensamos no assunto. Não usamos roupa de chuva e pronto! Como diz o Índio: a chuva molha e o vento seca :)

Voltanto à narrativa do Billy:

Passamos o primeiro pedágio, Garuva e logo em seguida veio a primeira parada no Posto Sinuelo.




 A chuva tinha dado uma trégua e ponderei a possibilidade de tirar aquela jaqueta de chuva (ôôô coisinha infernal!!!). Todos entraram para um lanchinho e fiquei lá fora, pois as motos estavam carregadas e com maquinas, celulares e outros apetrechos que poderiam ser roubados (estamos no Brasil...).

Tirei a jaqueta de tempo, a jaqueta de proteção e o protetor de coluna, nossa que alívio!!! O Dalton voltou da lanchonete comendo um pão de queijo e me trazendo uma Aquarius limão. Me disse para entrar e comer algo. Entrei e peguei o primeiro pastel de carne da viagem...rsrsrs. Quando todos retornaram troquei ideia com o Marcelo (que tem mais experiência em viagens) e com o Secão, se daria para eu seguir sem a capa de chuva e ambos opinaram pela retirada da mesma. O Secão, sempre positivo, me incentivou a tirar a capa dizendo que minha jaqueta deveria ser impermeável, e mesmo que não fosse, a noite no Hotel daria para secá-la com o secador. Pois bem, “fui para o arrisca tudo”, segui viagem sem a capa de tempo. Ufa, pelo menos aliviou aquele calorão que me fez até pensar em desistir.


Quando estávamos chegando perto de Penha começou a chuvarada novamente. Paramos para abastecer perto de Camboriú e a chuva continuava. Quando chegamos na descida para Itapema começou a desmoronar um toró (pé d'água, aguaceiro, tempestade) que ficou firme até Floripa.

 

Passando Florianópolis começou a amenizar e quando passamos pela entrada de Garopaba já estava um sol maravilhoso. Paramos para abastecer e o astral já MUITO MELHOR. Tiramos todas as roupas de chuva, fizemos um lanchinho e seguimos viagem.



A viagem continuou ótima até Torres, mas uns 30 Km antes de chegar ao destino começou um calorão absurdo, marcando 37°C no painel da moto. Com isso, começei a sentir sono e cansaço, pois já eram umas 17:30 horas. Paramos em um posto para tomar uma água, sorvete, tirar o capacete e a jaqueta para nos refrescar no ar condicionado da loja AMPM.

Chegamos em Torres no fim da tarde para nosso primeiro pernoite. A pousada era bem bacaninha, um bom quarto, bom banho e uma cerveja gelada na geladeira da portaria.

Após o, liguei para a família avisando que estávamos bem. Depois fomos a pé para o Restaurante indicado pela recepcionista da pousada. Caminhamos pela beira mar até o rio que divide Torres, uns 3km, num final de tarde maravilhoso com o céu roseado ao fundo. Vimos bonitas casas de veraneio e  algumas pessoas correndo ou caminhando. Nós, no primeiro dia de nossas “férias motociclísticas”, estávamos rindo à toa num astral maravilhoso. Foi um fim de tarde perfeito para o primeiro dia: caminhando na beira da praia com os amigos, céu cor de fogo, areia branca, cheiro de mar e a sensação maravilhosa de ter passado um dia inteiro pilotando. SHOW!!!



O restaurante era realmente muito bom, e bonito!!! O jantar à base de peixe, camarões, casquinha de siri e salada estava ótimo. Tudo isso regado a uma bela cerveja bem gelada. Perfeito!!! (Me desculpem por ser repetitivo, mas até o fim deste diário vocês ouvirão várias vezes a palavra “perfeito”...hehehe).

Voltamos para a pousada pelas ruas internas, pois o vento ficou gelado após anoitecer, e alguns companheiros estavam sem agasalho. O passeio pelas ruas de Torres à noite, com aquela galera, me levou aos bons e velhos tempos de Praia de Leste (1986 a 1990), onde após o Santa Mônica de Praia encerrar as atividades, voltávamos em bandos pelas ruas dando risada e sem nenhuma preocupação. Saudades...




Combinamos que no dia seguinte daríamos uma volta pela cidade antes de seguir viagem. Não foi nada difícil pegar no sono depois de um dia cheio de sensações boas. Marcamos café da manhã 0830h.

2° Dia: 27/11/2013

Coloquei uma rotina em todos os dias seguintes da viagem, antes de dormir e pela manhã quando acordava. A noite antes de dormir colocava para carregar o celular, o Scala Rider e a GoPro, limpava o capacete e a viseira, e organizava a bagagem. E pela manhã, era só acordar, tomar um banho, terminar de arrumar a bagagem e descer para o café. Para mim, que prefiro dormir um pouquinho mais ajudou bastante, porque assim já estava tudo ajeitado pela manhã.

Desci para o café e já estavam todos lá, menos o Secão, é claro (sempre atrasadinho). Conversamos um pouco. O Richarde queria tirar fotos das falésias e o Marcelo, que já conhecia o local, fez um resumo do que tinha por lá para ser visitado. É ótimo ter no grupo alguém como o Marcelo, pois o cara além de verificar todas as rotas, conhecia a maioria dos lugares e já sabia o que valia a pena visitar, ou seja, nossa motocada tinha até guia turístico...hahaha. Valeu Marcelo!!!

Resolvemos deixar as bagagens na Pousada e fazer umas fotos por Torres, e só depois fechar a conta, arrumar as malas e “picar a mula”.

Saímos e fomos direto ao mirante em cima do morro. De lá se pode ter uma bela visão das falésias e da cidade de Torres. Tiramos várias fotos e rolou até uma competição entre Dalton, Secão e Marcelo para ver quem fazia a melhor foto, a mais artística, e a com mais frescura...hehehe.

Descemos ao pé do morro e paramos junto à praia. Ali tem um caminho/calçadão que passa pela gruta da Santa, onde o povo acende velas e tudo mais. Muito legal. No retorno para a Pousada ainda fomos até o rio perto do restaurante da noite anterior para completar a voltinha por Torres.

Foi aqui que tive minha primeira experiência com uma Harley. Troquei de moto com o Secão. A FX é bem diferente da minha GS1200, mas é muito confortável. Me bati um pouco com a troca de marchas e com a posição de pilotagem, mas isso é normal.





 De volta à Pousada, pegamos as coisas, arrumamos nas motos, pagamos a conta e pé na estrada.

O dia estava ótimo, com sol mas sem calor. Passamos por um caminho onde haviam vários condomínios fechados, de veraneio, onde haviam casas enormes, do pessoal que tem grana e vai passar o verão em Torres.

Não demorou muito para começar a fechar o tempo para tempestade. Uma nuvem pesada e comprida estava vindo em nossa direção. Paramos no primeiro posto e colocamos as malditas roupas de tempo. Como eu já tinha testado minha jaqueta e ela se portou muito bem na chuva, só coloquei a calça. Fomos em direção a nuvenzona, mas apenas caíram uns pingos e passamos por ela. O Marcelo e a Neide só riam dessas preparações com roupas de chuva. Eles não deram bola pra nuvem.

Novamente com sol, rodamos mais um pouco e logo começou a aquecer. Como estava esquentando bastante e passando das 12:30 horas, já bateu uma fominha. Paramos no primeiro posto do caminho, porque a estrada estava ficando mais vazia e com cada vez menos comércio. Não sabíamos quando encontraríamos o próximo posto.

Enquanto alguns ficaram abastecendo, a Neide e o Marcelo já se dirigiram a lanchonete e a Neide gritou de lá “quem vai querer pão com ovo”, acredito que com exceção do Richarde, todos prontamente confirmaram a opção sugerida pela Neide. 

Bem que dizem que apressado come crú. Ao entrar no boteco (já rebaixando a categoria de lanchonete para boteco), dei de cara com uma senhora tipo Dona de Zona de beira de estrada e um sofá imundo de onde ela acabara de levantar. Dava pra ver que o cobertor e o travesseiro ainda estavam quentinhos.

A cozinha era num cubículo atrás do balcão onde a Dona foi preparar o "pão com ovo" numa frigideira preta de usada/mal lavada e grossa de gordura.

O Richarde passou por mim chupando um sorvete e disse “dá uma sacada no sofá”. Para completar um cachorro vira lata, mas bonitinho, ficou revirando o lixo logo ao lado da janela do boteco.

Depois disso não tive coragem de comer gororoba nenhuma. Me deu enjoo só de imaginar o que já deveria ter passado por aquela frigideira...eca.

Por fim, abdiquei do meu pão com ovo que foi sorvido pelo Gilson e o Secão acredito. O pior é que a Neide, que tinha encomendado todo o lote de pães com ovo, também não comeu o dela, optando por biscoito. O Marcelo se deliciou comendo DOIS pães com ovo. O Secão e o Gilson também comeram dois, o deles, o do Richarde e o meu.


O pão com ovo pode não ter trazido nenhum desconforto para o Gilson, mas a moto dele não teve a mesma sorte com a gasolina daquele posto de beira de estrada. Logo que partimos, Suzuki começou a ficar estranha, mas continuamos mesmo assim.

Em seguida passamos por um campo muito interessante onde estavam instalados vários geradores eólicos, que pareciam cataventos gigantes. Paramos para tirar fotos e admirar aquela bela paisagem, que gera energia de maneira limpa e sem nenhum dano ao meio ambiente.

Nota do Marcelo: optamos pela rota de Torres a Rio Grande passando por Mostardas e Reserva do Taim, com menor movimento e mais natureza. Aqui começa a aprecer minha preferência por aventuras.

Neste trecho haviam poucos postos de gasolina e foi aí que o Gilson ficou sem gasolina pela primeira vez. A pane seca foi em frente a um campo de aviação para aeronaves agrícolas. Enquanto o Richarde e o Marcelo foram procurar um posto na estrada à frente eu resolvi verificar se conseguiria alguma gasolina no campo de aviação.

Só percebi que a entrada do aeródromo cruzava a cabeceira da pista de pouso. E bem na hora que estou cruzando a pista um teco-teco vermelho vinha aterrisandom, e quase me arranca a cabeça com capacete e tudo...hahahaha. Foi um susto aquele monstrengo passando por cima de mim.

O Dalton, o Gilson e o Secão viram a cena de longe e rolaram de rir com a situação. Imagina só a manchete “Motociclista atropelado por avião de pesticida”...hahahaha. Só pra minha cara mesmo.

Os caras só tinham gasolina azul, mas confirmaram que logo a frente havia um posto. Enquanto esperávamos o Richarde, achamos uma lagartixa seca, que foi uma boa distração até chegar a gasolina.

Logo em seguida o Richarde chegou com a gasolina e fomos todos para o posto.



Neste posto tinha uma mini padaria e o pão estava fresquinho. Pedi um misto frio com aquele pão quentinho e um café com leite. Parecia um café da tarde na casa da vó: coisa boa...

Após abastecer a pança e as motos partimos em direção a Rio Grande. A estrada tica pouco movimento mas para compensar estava cheia de buracos e estávamos longe do destino. Quando a estrada ficou melhor tentei dar uma esticada para acordar, já que a estrada estava vazia e com poucas curvas longas. Mas a moto do Gilson começou a consumir muito combustível e a gasolina acabou novamente antes de chegarmos a Rio Grande.

Como eu e o Richarde estávamos mais a frente, chegamos antes no posto, mas só lá que fui saber que o Gilson tinha novamente ficado sem gasolina. O Dalton, o Marcelo, o Secão e o Richarde se comunicavam via comunicador mas como o meu é de um modelo diferente eu só ligava minha musica e “enrolava o cabo”.

Novamente abastecidos, fomos em direção à Balsa para a travessia até Rio Grande. Mas eu não lembrei do conselho do meu amigo Delegado Vina: “cheguem cedo para atravessar a balsa para Rio Grande porque tem horário”. Resultado: a última balsa tinha partido fazia 20/30 minutos e agora a alternativa indicada pelos locais seria atravessar de lancha.

Estas lanchas são barcos grandes como ônibus de passageiros, porém não têm estrutura para transportar motos. Mas, coisa de Brasil, conversando tudo se ajeita. Colocamos as motos na proa da lancha, mas não foi tão simples assim. Deu trabalho e emoção...hehehe.

Eles encostaram bem o barco no cais e esprememos as motos na prancha por onde entram os passageiros, ou seja, sem aventura a coisa não tem graça. Lá fomos nós um a um embarcando as motos por um vão de 10/15cm entre a borda do barco e o cais, adrenalina pura!!!!!!!

Atravessamos o Rio Grande num final de tarde espetacular onde além das fotos deu para curtir novamente aquela sensação de um dia perfeito. 

Teve passeio, aventura gastronômica (pão com ovo), aventura com a pane seca do Gilson e aventura para atravessar com as motos de barco/lancha. Mais um dia PERFEITO.

Chegamos ao Hotel em Rio Grande, nos instalamos e fomos jantar numa das melhores churrascarias da cidade e uma das melhores que já experimentei. Eles serviram espeto corrido com uma bela variedade de carnes e todas de excelente qualidade, regado a uma cerveja Província de litro bem gelada e para finalizar um queijo derretido com doce de leite. Imagina como foi o sono depois disso!

Após o ritual noturno de limpeza, carregamento de baterias e arrumação, dormi como um anjo.





 



 Es

 Estes foram os primeiros DOIS dias de uma viagem de DEZ dias ao Uruguai, na narração do Billy. Os próximos capítulos serão de minha autoria.

Vocês não perdem por esperar....



Comentários

  1. Show Marcelo!!! Após esta fantástica viagem já fiz mais algumas e acredito que por serem na motoca, todas PERFEITAS. Não vejo a hora desta pandemia liberar e voltar a rodar. Forte abraço meu amigo.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Peru 2017 P9: Cusco a Nazca - Montanhas

Meu Amigo BILO