Eu Triatleta?

 



Quando fui trabalhar na Lorenzetti, em 1988, eu estava bem sedentário e engordei bastante. O meu amigo Washington, que trabalhava na mesma empresa, sofria o mesmo problema. Para complicar, o almoço da Lorenzetti era muito saboroso, preparado com carinho pela saudosa Dona Cidinha.

Para tentar controlar o meu peso, a Neide comprou o livro ‘Só é Gordo Quem Quer’, do Dr. Uchôa, e passou a cozinhar as receitas do livro. Deu tão certo que logo estávamos vendendo pratos “Dona Fininha” para os amigos. O Washington era um dos clientes.

Além da comida saudável no jantar, passamos a nadar na hora do almoço e, após o treino, comer apenas frutas. Formamos uma turma de nadadores dedicados, com Washington, Manzo e eu.

O nosso treinador era muito entusiasmado, e não demorou muito para começarmos a participar de travessias e competições de natação. A partir daí, veio a vontade de treinar uma nova modalidade de esporte que estava crescendo bastante, o Triathlon.

Além da natação na hora do almoço, o Washington, o Augusto e eu passamos a ter uma rotina de treinos de corrida e ciclismo de manhã ou à noite.

Vendi minha velha Caloi 10, comprei uma Caloi 12 e equipei a nova magrela com clip de guidão e tiras de nylon para prender os pés aos pedais para ficar mais competitivo. 

Me equipei com novos tênis de corrida e um relógio Timex com cronômetro de 100 voltas e passei a estudar treinos e dicas de competição em revistas especializadas.

Nós não tínhamos muitos recursos, mas cronometrávamos nossas pedaladas e marcávamos o ritmo da corrida com o tempo para percorrer os 40m de distância entre postes, tentando manter entre 8 segundos e 10 segundos durante o treino.

Treinávamos ciclismo na BR277 até o pedágio e calculávamos a média no fim do treino, sempre tentando atingir a marca de 30km/h. Conseguíamos algo entre 27km/h e 29km/h. Nessa época não se comentava sobre vácuo, mas as revistas de Triathlon e corrida traziam alguns macetes.

Nas provas, sempre tentávamos fechar os 750m da natação em menos de 15 minutos, perdíamos muito tempo nas trapalhadas da transição e tentávamos fechar os 20km de ciclismo em 35-40 minutos. A corrida era o mais difícil devido ao sol forte, calor e cansaço.

O ciclismo era a minha etapa preferida e eu buscava recuperar na bicicleta o tempo que perdia na natação e na corrida. 

Num desses Triathlons, eu estava pedalando forte e acompanhando de perto um atleta de elite. Sem saber, eu estava de carona no vácuo. Num trecho de reta sem obstáculos, o meu 'coelho' relaxou o ritmo e eu, animado, abri para ultrapassar. Quando estávamos lado a lado, ele me perguntou: ‘você sabe que horas são?’, aproveitando o lapso de distração causado pela surpresa para acelerar e abrir uma grande vantagem. Depois disso, não consegui mais alcançá-lo até a transição. Ficou o aprendizado.

Que sem graça....

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