Peru 2017 P6: Atalhos e Desaguadero

 D8: 19/10/2017

Deixamos as motos carregadas na noite anterior para não atrasar nossa saída de Potosi. Depois de ver o trânsito na cidade, estávamos com medo de acidentes.

Mas não tivemos problemas e as ruas ficaram mais largas e fáceis de pilotar quando saímos da parte central da cidade. Nossa primeira preocupação da manhã foi com o abastecimento. Esta seria nossa primeira compra de gasolina na Bolívia e estávamos preocupados por causa das histórias que o pessoal conta a respeito.

Paramos num posto perto da saída da cidade e mandamos completar os tanques. O frentista explicou que não podíamos usar as bombas normais porque elas são apenas para bolivianos. As bombas para estrangeiros são separadas porque o preço da gasolina é o dobro do que os locais pagam. O frentista explicou que a razão disso é a carga tributária. Os estrangeiros devem pagar mais imposto pelo uso das rodovias. Mesmo pagando o dobro do preço, a gasolina não era mais cara que no Brasil e rodando velocidades moderadas na grande altitude deixava as motos MUITO econômicas, fazendo mais de 30km/l, que garantia autonomia superior a 800km por tanque, com folga.

A Ruta 1de Potosi a Oruro não tem segredo. O asfalto é bom e a distância, em torno de 300km, prenunciava um dia tranquilo.

Em Chalapata, na metade do caminho, paramos para descansar e comer alguma coisa. Mas não conseguimos. Fomos usar um banheiro numa estação de serviço e foi terrível. Não havia água encanada, apenas um tambor com água e uma caneca para a descarga. E o cheiro de excrementos era tão forte que dava pra cortar com uma faca. Era de lacrimejar os olhos! Resolvemos nos aliviar na estrada mesmo... Não houve outro jeito.

Mas aqui novamente ficamos muito emocionados com a bondade, a simplicidade e o cuidado das pessoas com a educação. As escolas são as construções mais bem conservadas que vemos no caminho.

Depois de Chalapata, a estrada margeia o grande Lago Poppó e proporciona paisagens muito lindas. Fomos pilotando devagar e parando diversas vezes para apreciar o cenário e chegamos a Oruro no meio da tarde. Ainda bem que evitamos a hora do rush, porque esta cidade é importante na Bolívia e tem bastante movimento. Ficamos num hotel bem central, muito antigo mas com garagem fechada para as motos e saímos passear, mas não muito. Jantamos no hotel mesmo.


A altitude de Oruro é 3300m, menor que os 4200m de Potosí, então o cansaço era um pouco menor, e a principal atração da cidade é a estátua da santa no alto do morro, com vista para a cidade inteira.


Neste dia tiramos poucas fotos. Acredito que é sinal do cansaço causado pela altitude.


D9: 20/10/2017

Acordamos e partimos em direção a Puno. O tempo era curto porque teríamos que viajar mais de 450km e fazer a aduana em Desaguadero. Além disso, os relatos de viajantes comentam sobre o trânsito e a dificuldade de atravessar La Paz. E o Google Maps, verificado no wifi do hotel, mostrava um 'atalho' para desviar da capital. Decidimos ir por esse atalho para ganhar tempo.

A distância de Vila Remédios até Laja, passando por La Paz, é de quase 60km e tem a complicação do trânsito. De Vila Remédios cortando por Viacha seriam menos de 30km, porém o mapa mostra que aproximadamente 20km são de rípio.

Chegamos cedo em Vila Remédios e logo achamos a entrada da estrada de rípio. Era uma pista bem larga e reta. Perguntamos a um transeunte e ele nos disse que seriam 7km. Dali conseguíamos ver La Paz e as montanhas nevadas ao longe, e a estrada, mesmo com pouco movimento, tinha muito pó. 


À medida que nos afastávamos da Ruta 1, a estrada ficava pior e cada vez mais deserta. Sem navegação pelo GPS, estávamos perdidos. Depois de rodar bastante chegamos a uma fábrica e a estrada acabou no pátio de manobra para os caminhões dessa fábrica. 


O mapa mostrava um caminho a partir daquela fábrica mas não achamos estrada alguma. Seguimos um caminho que acabava no muro de uma fazenda, e do lado de fora o terreno estava coberto de esterco. Minha moto derrapou num daqueles montes de estrume e fomos ao chão! Foi muito engraçado!


Decidimos seguir os caminhões que saíam do pátio pela continuação da nossa estrada. Rodamos muito tempo banhados em poeira por uma estrada cada vez mais esburacada e parecia que estávamos indo em direção a La Paz. Quando chegamos a um povoado, quase uma hora depois, estávamos cansados e perdidos. 
Achamos um ponto de táxi e perguntamos o caminho. Estávamos tão longe da rota e a explicação foi tão complicada que o Jairo resolveu contratar um táxi para nos mostrar o caminho. Assim, seguimos o táxi que rodou bastante por outras estradas e acabou nos deixando novamente no pátio de estacionamento da mesma fábrica.
Ficamos ainda mais confusos quando o motorista nos mostrou um pequeno atalho no fundo do pátio, que logo depois se transformou numa estrada mais larga. O motorista explicou que deveríamos seguir aquela estrada e chegaríamos na Ruta 1 novamente.
Só que aquela estrada passava por um outro povoado antes de chegar ao asfalto. E estava acontecendo algum tipo de manifestação, festa ou feira naquela cidade. Todas as ruas estavam tão tomadas por pedestres que ficava difícil passar. Nessa altura já estávamos bem cansados e estressados. Quando finalmente chegamos ao asfalto da Ruta 1, perto de Desaguadero, vimos que este 'atalho' havia nos custado 2 horas e meia de tensão. Não sei se valeu a pena. Mas estou certo que se a navegação do GPS funcionasse, este atalho teria sido a melhor escolha. Pelo menos a paisagem era muito bonita no entroncamento com a Ruta 1.





O que nos atrapalhou naquele atalho foi a minha queda no esterco, o tempo perdido atrás dos caminhões e o tempo perdido na multidão de pedestres. Toda esta aventura serviu para mostrar que a emoção da viagem é inversamente proporcional ao número de fotos. 

Chegando a Desaguadero, seguimos o trânsito para a Aduana. Chegando lá, fomos informados que existem diversas aduanas: para caminhões, para ônibus, para carros e para pedestres. Estas aduanas ficam longe umas das outras e nos informaram que as motos devem usar a aduana dos pedestres.
Não é difícil imaginar que a aduana dos pedestres é a mais lotada e mais confusa. Havia uma multidão passando a pé por uma ponte, e o Peru ficava do outro lado.






Aqui entendemos que estávamos com as motos ilegais na Bolívia. Era perto de meio dia e o movimento era grande. Carimbamos os passaportes e fomos perguntar na Aduana sobre o procedimento para as motos. Quando contei ao guarda o que havia acontecido em La Quiaca, o guarda arregalou os olhos e nos disse: está vendo aquela ponte? do outro lado é o Peru. Não precisou dizer mais nada, saímos da Bolívia o mais rápido que pudemos! Ainda bem que foi só o susto, e aquele guarda foi legal conosco.

Do lado do Peru, perdemos bastante tempo com os trâmites aduaneiros, câmbio e compra dos tickets de pedágio para usarmos as rodovias do país. 


Passando as formalidades, sofremos mais um pouco para sair da cidade devido ao grande movimento de pedestres, ruas com muitos trechos em construção e nenhum sinal de trânsito. Mas pelo menos o GPS voltou a funcionar indicando a rota assim que saímos da Bolívia.


De Desaguadero, margeamos o Lago Titicaca por mais 150km e chegamos a Puno no fim da tarde. O GPS nos indicou o caminho certo, mas foi complicado chegar até um hotel central numa reservada a pedestres numa tarde de sexta feira com bastante movimento na cidade.
Descansamos e contratamos o guia para visitarmos as ilhas flutuantes dos Uros no dia seguinte. E saímos comer uma pizza na cidade de Puno, muito boa por sinal.







Comentários

  1. obrigada Marcelo, por fazer eu reviver cada trecho da viagem, boas lembrancas, foi uma viagem linda...

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