Peru 2017 P2: Embarcación

D3: 14/10/2017

Acordamos cedo em Asunción já loucos para sair do Paraguai e nos embrenhar pela Argentina.

Tomamos café no hotel e partimos em direção à Aduana. Pelo mapa, parecia bem perto, porém rodamos mais de uma hora com a sensação de estarmos perdidos, até que finalmente chegamos na fronteira.

O dia já começou tenso, e como tínhamos o objetivo de rodar aproximadamente 850km por estradas desconhecidas até Embarcación, a demora na Aduana piorou ainda mais.

Esta região do Chaco Argentino é pouco povoada e as estradas quase não tem sinalização. Mesmo com o GPS programado, acabamos nos perdendo. A idéia era cortar pela RP86 até um entroncamento e daí tomarmos o rumo para a RP81. Depois de rodarmos bastante pela RP86, fiquei desconfiado que estávamos no caminho errado e parei para me informar. A pessoa nos disse que aquele entroncamento que aparece no mapa era de rípio bem ruim e nos aconselhou a voltar para a RN11 e daí para Formosa, onde pegaríamos a RP11 desde o início. 

Foi o que fizemos, mas isso atrasou a viagem em mais uma hora. Somando com o tempo de Aduana e de Paraguai, estávamos com umas 3 horas de atraso. Mas seguimos viagem porque queríamos chegar a Embarcación antes de anoitecer. No fim, rodamos quase 950km naquele dia, 100km a mais que o planejado, graças ao erro na rota.


Já tínhamos rodado mais de 300km quando o marcador de nível de combustível da minha moto parou de funcionar. Como rodávamos em motos iguais e todas com grande autonomia, esta falha não me preocupou muito. 


O tempo foi passando e a quilometragem foi aumentando e não aparecia nenhum posto e nem sinal de cidade, a preocupação foi aumentando, até que chegamos no vilarejo de Las Lomitas, depois de rodar 355km. Foi difícil achar um posto de gasolina na cidade. Só tinha um posto e era bem longe da estrada. Abastecemos, descansamos um pouco e seguimos viagem. 




O sol já estava bem baixo nesta hora, e como estávamos indo para Oeste, a luz incidia direto nos nossos olhos. Ainda bem que eu tinha uma faixa de fita isolante na parte superior da minha viseira que me protegia muito bem deste sol direto.




Quando escureceu e ainda faltavam mais de 80km até Embarcación, acabou o asfalto. A estrada estava em construção e havia um desvio. Eu estava na frente, e já cansado, resolvi atacar o desvio com vontade. Nos primeiros metros de rípio, o piso duro se transformou num areão fofo e como eu vinha bem rápido, não consegui diminuir por medo de cair. Acelerei fundo, fechei os olhos e fui com fé torcendo para não cair. O pessoal que vinha atrás viu as luzes da minha moto dançando para todo lado e conseguiram parar antes do areão. Foram uns 500m de muita tensão até que o piso melhorou e avistamos o asfalto logo em frente. As mulheres ficaram com medo deste trecho e resolveram caminhar os 500m. Os outros vieram pilotando devagar com os dois pés no chão e torcendo para não encalhar. Eu só agradecia aos céus por ter passado ileso por aquela armadilha. Depois que eles me alcançaram, as mulheres continuaram a pé até o asfalto. 




Paramos um pouco para descansar e baixar a adrenalina e seguimos até nosso destino sem maiores problemas. Embarcación também é uma cidade pequena e o único hotel que encontrei não tinha serviço. Havia uma pessoa nos esperando na recpção, nos mostrou os quartos e depois nos mostrou uma casa ao lado, que era do dono do hotel, onde poderíamos guardar as motos.



Com as motos bem seguras, banho tomado e roupas limpas, saímos para jantar. Não haviam muitas opções na cidade, mas encontramos uma pizzaria legal perto do hotel. Até agora esse foi o dia mais emocionante da viagem e estávamos todos agradecidos por chegar bem, sem nenhum tombo, apenas assustados e cansados.

D4: 15/10/2017

Nosso objetivo neste dia era chegar até a Quebrada de Humahuaca, onde eu tinha reservado 2 dias no Hotel Huacalera, um HOTEL TOP! O plano era curtirmos Tilcara, Purmamarca e arredores. Como eu conheço bem aquela área, eu tinha certeza que o pessoal iria adorar, e eu também.

Saímos do hotel e fomos direto abastecer. Como o trajeto calculado pelo GPS dá uma volta bem grande, eu tinha esperança de, perguntando aos locais, achar um atalho mais reto que cortaria bastante a quilometragem. Mas este atalho não existia.


Abastecemos, tiramos o pó das motos e das roupas e seguimos felizes para rodar por estradas boas e apreciar paisagens bonitas até Huacalera.



Chegamos ao hotel a tempo de almoçar um lanche rápido, desembarcar as bagagens das motos e sair para passear em Tilcara.





Passamos a tarde em Tilcara, jantamos por lá mesmo, e retornamos ao hotel para descansar. Foi um dia bem tranquilo. A cidade estava bem movimentada porque estava acontecendo uma corrida de aventura na região.









Até aqui foram apenas 4 dias de viagem, mas o grupo estava muito bem entrosado e todos estavam super animados com o que já vimos e com o que teremos pela frente.

Continua...





 

Comentários

  1. Que show de viagem Marcelo, tudo foi perfeito, estou revivendo como se fosse naquele dia...

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